Eu sofro

Quando sou convidado para participar de uma reunião dos irmãos seja para pregar ou para assistir, eu sofro, especialmente quando os que possuem o microfone nas mãos, os que estão tentando direcionar a comunidade através do ensino fazem o seguinte:

Chamam o galpão ou o local da reunião de casa de Deus. Como se já não tivéssemos recebido a informação de que nosso corpo é templo do Espírito, e que tirando essa realidade está dito que “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens” Atos 17:24.

– Chamam o período de música de adoração. Como se já não tivéssemos aprendido com Jesus que adoração é um jeito de viver, que adorar é se submeter ao Pai em espírito e em verdade diante das decisões da vida, não é algo que acontece num lugar pro lado de fora, mas sim, algo que acontece no espírito, que muda nossas motivações, intenções, essência do ser, “…porque o Pai procura a tais que assim o adorem”. João 4:23.

– Chamam os faltantes da reunião de “fracos na fé”. Como se a comunhão entre irmãos só pudesse acontecer naquele dia e horário, como se a rua, a casa, a padaria, o telefone, a internet não fossem ambientes de encorajamento, de ajuda mútua e de encontro-igreja.

– Chamam os ofertantes do dia de fiéis a Deus e consequentemente os não ofertantes de infiéis. Como se a única maneira de fazermos de nossos recursos financeiros uma oferta a Deus, fosse através daquela reunião e daquele grupo reunido naquele dia, como se já não tivéssemos recebido o ensino de Jesus que diz que “em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. Mateus 25:40

– Chamam a reunião de “Dia do Milagre”. Tentando determinar quando e como Deus irá agir, prometendo uma intervenção divina a quem sofre e a quem precisa de mudanças. Esses, em questão, nunca lidam com a possibilidade de Deus dizer às pessoas como Ele disse a Paulo: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo”. 2 Coríntios 12:9

– Chamam a Lei vigente no Antigo Testamento de evangelho. É como se a nova aliança de Jesus em seu sangue não significasse outra outra coisa senão “remendo novo em pano velho”. É como se anulassem a cruz de Cristo e pisassem na graça ressuscitando o que foi escrito na pedra, recosturando o véu do templo que foi rasgado para sempre. Paulo os denuncia dizendo: “Vocês, que procuram ser justificados pela lei, separaram-se de Cristo; caíram da graça”. Gálatas 5:4

– Chamam o início da reunião de início do culto (como se o culto não estivesse acontecendo antes da reunião e como se houvesse um horário pro culto acabar). Em Jesus aprendemos que o culto é a vida e a vida é o culto, quando ele mostrou com sua própria forma de viver que a vontade de Deus não é que tenhamos uma vida religiosa, pautada por programações religiosas, mas sim pautada pelo amor. Exatamente por isso ele contou uma parábola em que um rotulado pela sociedade cultua a Deus cuidando de um homem que foi assaltado, enquanto que dois religiosos passando pelo mesmo lugar não fizeram nada por ele (provavelmente porque estivessem muito ocupados com sua religião).

– Chamam os ocupantes de cargos como “fazedores da obra de Deus” e os não envolvidos com os ministérios eclesiástico de “enterradores de dons”. Como se os dons não fossem ferramentas para servir na vida como um todo, e não apenas num pequeno contexto, reduzido à um grupo específico. Fazer a obra de Deus é crer em Jesus, não é um conjunto de atividades, é um estado de confiança nas palavras de Jesus e no caminho proposto por Jesus, uma confiança que faz a gente agir na direção do caminho, da verdade e da vida.

– Chamam os que se reúnem em outros formatos, sem vínculo denominacional e sem a necessidade de criarem nomes e fazerem marketing de si mesmos, de desviados e desigrejados. Limitam a ação de Deus apenas ao gueto e aos formatos daquela comunidade, denominação ou religião. Como se Deus e os filhos de Deus estivessem todos acoplados ao mesmo pacote em que estão, não havendo portanto outras possibilidades, outras maneiras, outros jeitos de ser comunidade.

Há muitas outras coisas sofríveis em meio às comunidades ditas cristãs, mas essas 9 são uma amostra de como precisamos rever alguns conceitos, ressignificar nosso vocabulário e romper com tudo o que o ensino de Jesus expressamente mostra em nós, como sendo um erro na forma de pensar.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz
200x200


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s