Davi e as decisões da vida

Ouça a mensagem em áudio abaixo:

 

Deus rejeita Saul como Rei em Israel e envia Samuel à casa de Jessé para ungir um de seus filhos e torná-lo o novo rei, o substituto de Saul. Jessé tinha 8 filhos, sete desses pareciam muito mais apropriados para a tarefa do que o caçula, o cuidador de ovelhas, que nem foi citado pelo pai a princípio, no entanto foi justamente esse, cujo nome era Davi, o homem a quem Deus escolheu para essa importante tarefa: reinar e guiar os homens-ovelhas de Israel. A partir do momento em que Samuel ungiu Davi a rei de Israel (mesmo Saul ainda estando vivo), o Espírito do Senhor se apoderou de Davi pelo resto de sua vida.

Essa informação acerca do Espírito do Senhor é importantíssima por dois motivos:

  1. Mesmo recebendo essa graça, Davi não ficou imune às tentações e a possibilidade de tomar péssimas decisões na vida. Esse é um mito no meio cristão, de que se o Espírito de Deus estiver num ser humano, ele se tornará um “super homem”, um ser indestrutível, inabalável, sem nenhum tipo de crise de fé. Todos os erros que Davi cometeu, ele os cometeu estando em Deus e Deus nele.
  2. A presença do Espírito do Senhor em nós nos capacita para determinadas tarefas, demandas, situações da vida que não estamos normalmente acostumados a lidar. Lidar com ovelhas é uma coisa, lidar com um povo inteiro, com pessoas é algo completamente diferente. As pessoas podem ser dóceis e suscetíveis ao amor ao mesmo tempo que podem ser traidoras, conspiradoras e grandemente maldosas. Davi experimentou todo tipo de situação com pessoas em sua trajetória.

Veja algumas situações que exigiram de Davi decisões importantes que delinearam sua história:

1. Fazer o bem ao injusto, ao maldoso ou deixar que ele se dê mal na vida, recolhendo as próprias mãos. O rei em exercício, desaprovado por Deus está tomado de um espírito maligno, e quer alguém com a habilidade musical de Davi para tocar a harpa e se aliviar de suas próprias crises. Davi se apresentou a Saul e passou a trabalhar para ele, e por Saul ter gostado muito dele, Davi passou a ser o seu escudeiro. Trabalhar para alguém que vive em estado de maldade exige muita humildade e misericórdia. Será que isso não está totalmente relacionado ao ensino de Jesus?

Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus, pois que Ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Porque se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos igualmente assim? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de notável? Não agem os gentios também dessa maneira? Assim sendo, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus”.  Mt. 5:43-48

2. Enfrentar pela fé os grandes desafios da vida ou se manter na covardia da maioria, que vive a vida de forma medíocre e amedrontada. Golias, um filisteu de 6 côvados e 1 palmo (2,90 m) se apresentou afrontando o povo de Israel desafiando-os a enfrentá-lo, Saul e todos os israelitas ficaram atônitos e apavorados. Davi, o cuidador de ovelhas, pequenino perto do gigante, se apresenta para lutar contra o filisteu, sem medo, com uma ousadia aparentemente irracional, ilógica, imatura, inconsequente já que Golias havia sido preparado para a guerra desde criança. “Quem é esse filisteu incircunciso para desafiar os exércitos do Deus vivo?”. Davi vence a batalha e ao mesmo tempo expõe a incredulidade do seu povo. É como o contraste da fé do filho de carpinteiro diante dos discípulos que num primeiro instante eram covardes; Jesus enfrentando o desafio da cruz, sem medo, sem olhar atrás, enquanto seus discípulos fugiram e se dispersaram por, naquele momento, não suportarem nem mesmo a pergunta de uma escrava “Você não estava com ele? Você não é seu discípulo?”.

3. Fazer o que lhe é proposto com o melhor e com excelência ou viver preguiçosamente. Tudo o que Saul lhe ordenava fazer, Davi fazia com tanta habilidade que Saul lhe deu um posto elevado no exército e também o tornou seu conselheiro. Há pessoas que fazem o mínimo pela vida, dão o mínimo de si no trabalho, nos estudos, no casamento, na relação com os filhos, fazem sempre corpo mole, vivem preguiçosamente como se não houvesse o que melhorar, o que evoluir, o que desenvolver. Há pessoas que gostam de matar o tempo, fazer de qualquer jeito, fazer apenas o que lhe é pedido, nunca tomam iniciativas por si só, nunca usam os potenciais de inteligência e criatividade que possuem, nunca estão presentes de corpo e alma nos lugares em que estão. Isso me fez lembrar de José que fazia tão bem que, mesmo escravo, se tornou chefe de tudo o que Potifar possuía.

4. Ser esperto e fugir das batalhas que não valem a pena lutar ou bancar o valentão e piorar situações que poderiam ser resolvidas pela via da paciência e silêncio. Saul fica possesso de inveja, porque Davi estava se sobressaindo, o texto diz que “o Senhor era com Davi de tal maneira que ele era bem sucedido naquilo que fazia”, e então o rei começa a perseguir e a tentar matar Davi. Davi não enfrentou Saul da mesma forma em que enfrentou o gigante; por algum motivo Davi entendia que essa não era uma batalha que valia a pena lutar. Ele se esquivou da lança de Saul, depois em outra situação, quando teve oportunidade de matá-lo na caverna ele não o fez, Davi sabia entrar e sair, enfrentar e fugir, a hora e o momento adequado de cada coisa. Jesus nos ensinou a sermos espertos como uma serpente ao mesmo tempo que símplices como uma pomba.

5. Agradar a Deus sendo espontâneo e verdadeiro ou agradar os homens, construindo uma imagem superficial de si para atingir as expectativas das pessoas. Quando Saul já havia morrido e Davi havia se tornado rei em Israel, ele resolveu trazer a arca da aliança (que era símbolo da Presença de Deus) de volta a Jerusalém. Depois do incidente de Uzá que foi irreverente e acabou morrendo, e depois que a arca ficou por três meses na casa de Obede-Edom, Davi conseguiu enfim trazê-la a Jerusalém com muita alegria, cântico, danças e celebração. No entanto sua esposa Mical, filha de Saul achou que a atitude do rei não condizia com sua posição e o chamou de vulgar, ao que ele respondeu “foi perante o Senhor que eu dancei… perante o Senhor celebrarei e me rebaixarei ainda mais, e me humilharei aos meus próprios olhos…” Muitos rotulam a gente na vida, especialmente quando valorizamos algo que elas não valorizam, particularmente quando as prioridades das pessoas são diferentes das nossas. Para Mical é o status quo, a reputação e a opinião alheia que importa, para outros o conforto pessoal, para outros sua profissão, para outros o dinheiro, nessas horas como disse o apóstolo Paulo:

“Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo”. Gálatas 1:10

6. Enfrentar os gigantes interiores e lidar com nossas tendências humanas com sabedoria e firmeza ou dar vazão aos desejos que surgem, sem pensar nas consequências. Davi, ao ver as coisas em seu reino estabilizadas, aparentemente baixou a guarda. Num momento de descanso, do alto de seu palácio visualiza uma mulher nua tomando banho. Ele toma ciência de que aquela mulher é casada, mas mesmo assim a toma para si, tem relações sexuais com ela, e ao saber da notícia que ela está grávida, faz uma manobra para matar o marido dela. O corajoso Davi que matou Golias com sua fé, agiu como um covarde quando o assunto foi lidar com seus gigantes interiores. O adultério e o homicídio de Davi não são especialidades dele, são especialidades nossas também, cada um de nós possui gigantes na interioridade que precisam de serem tratados com sabedoria e firmeza. Davi não era um adúltero e um assassino, essas não eram características de sua essência, mesmo assim ele agiu como um adúltero e agiu como um assassino. Isso trouxe consequências drásticas pra sua vida.

Nós somos a soma das nossas decisões. Cada época da vida demanda um tipo de decisão. Cada dia traz consigo seus próprios males e benefícios. Nós somos “experts” em usar mal aquilo que essencialmente é bom. Por isso, seja lá qual decisão é demandada de você hoje, minha oração é que você escolha bem, encontre o melhor caminho e aja de forma a não se arrepender depois.

1. Fazer o bem ao injusto, ao maldoso ou deixar que ele se dê mal na vida, recolhendo as próprias mãos.

2. Enfrentar pela fé os grandes desafios da vida ou se manter na covardia da maioria, que vive a vida de forma medíocre e amedrontada.

3. Fazer o que lhe é proposto com o melhor e com excelência ou viver preguiçosamente.

4. Ser esperto e fugir das batalhas que não valem a pena lutar, ou bancar o valentão e piorar situações que poderiam ser resolvidas pela via da paciência e silêncio.

5. Agradar a Deus, sendo espontâneo e verdadeiro ou agradar os homens, construindo uma imagem superficial de si para atingir as expectativas das pessoas.

6. Enfrentar os gigantes interiores e lidar com nossas tendências humanas com sabedoria e firmeza ou dar vazão aos desejos que surgem, sem pensar nas consequências.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz
200x200


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s