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As igrejas de nossos dias

* Igreja significa assembleia, ou seja, pessoas que se reúnem em torno de um mesmo assunto. No período de dominação romana, igreja era uma reunião que visava decidir sobre os assuntos importantes da cidade; Jesus empresta esse termo e conclama homens e mulheres a se reunirem em torno Dele, ele os chamou de “minha igreja”. Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles. Sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Há duas promessas aqui: a presença de Jesus e a autoridade para enfrentar todo e qualquer domínio infernal.

Nesses quase 14 anos de caminhada no evangelho, 10 anos cuidando de pessoas na função pastoral, participando de inúmeros encontros, reuniões, tanto de comunidades formalizadas quanto de comunidades informais do evangelho tenho presenciado muitas realidades comunitárias das quais quero compartilhar um pouco do que tenho encontrado. Falar sobre as comunidades que se “dizem” reunir em torno de Cristo é falar de pelo menos 3 tipos de ajuntamento:

1) Comunidades de Jesus que são saudáveis, sérias e frutíferas (não são isentas de problemas, obviamente, mas estão firmadas no Caminho, como a igreja de Esmirna que só recebeu incentivos e elogios – e por coincidência ou não, era a menor de todas as comunidades descritas no Apocalipse). São comunidades que estão caminhando da melhor forma possível, avaliando-se sempre, melhorando-se sempre, se arrependendo dos erros, corrigindo as rotas do seu caminho, vivendo conforme o espírito de Jesus e expulsando o que quer que possa fazê-los desviar do que Jesus ensinou a fazer. Não estão preocupadas com glórias humanas, estão empenhadas em seres fiéis, em andarem com Jesus custe o que custar, tendo como único objetivo de existência servir a Deus o obedecendo!

2) Comunidades que embora sejam sinceramente de Jesus, estão doentes, padecendo dificuldades, estão à beira do abismo (tal como a igreja de Éfeso para a qual Jesus disse que estava prestes a remover o candeeiro, ou como a igreja de Pérgamo a quem Jesus ameaçou vir contra ela e lutar com a espada da boca).

Pessoas sinceras, porém, enganadas. Todos nós nascemos em uma sociedade com diversas tradições religiosas, recebemos de nossos pais conceitos e valores que além de serem práticos, geralmente, possuem um background de fé, de crença pessoal. Desde pequenos vamos sendo instigados a descobrir qual é o sentido da vida, e para tal nós vamos nos associando a pessoas, grupos, vamos nos identificamos com essa ou aquela forma de pensar, vamos criando nossa tradição religiosa pessoal. Nossa busca é sincera? Sim! Isso significa necessariamente que estejamos no caminho certo? Não!

Há pessoas que não questionam suas próprias crenças (inclusive porque não são estimuladas a fazê-lo e porque não estão dispostas a sair do seu conforto psicológico), se acomodam confortavelmente em afirmações tácitas e congela, cristalizam tais pensamentos sem jamais progredir, avançar, crescer na graça e no conhecimento de Jesus, ficam estagnadas apesar de serem sinceras! São pessoas de mente condicionada, capazes inclusive de excluir do convívio todo aquele que representa um pensamento que lhe provoque a questionar, avaliar e refletir.

Algumas são capazes até de matar em nome do que acreditam, é como aqueles para quem Jesus disse: Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem! É como Paulo que acreditava tão cegamente em sua religião, que pensava estar fazendo a vontade de Deus quando matava os seguidores de Jesus!

Tem muita gente boa por aí enganada, presa nas próprias tradições, acorrentadas espiritualmente e impedidas de experimentarem a vontade de Deus, conforme a carta aos Romanos, porque não se deixam transformar pela renovação do entendimento.

Jesus disse a essas comunidades que seus dias estão contados, que precisam se arrepender, que o dono da vinha deseja encontrar frutos naqueles que ele pacientemente tem cuidado, regado e dado todas as condições para a boa safra.

3) Comunidades cuja nomenclatura envolve o nome de Jesus, mas cuja prática não se harmoniza em nada com as práticas de Jesus (comunidades de religiosos como os fariseus e mestres da lei, com o coração de pedra, muitas vezes mal-intencionados, para as quais Jesus ofereceu um belo de um chicote, ou exemplificado na igreja de Laodiceia em que ele estava do lado de fora batendo a porta porque o expulsaram da comunidade).

São comunidades cujos objetivos comunitários já não têm nada a vê com os objetivos de Jesus. Seus líderes estão cheios de ganância, manipulam, distorcem, fazem de tudo para serem beneficiados através da fé ignorante do povo, são comunidades fabricadoras de toda sorte de doenças psicológicas, espirituais, sociais, sugam a identidade de seus adeptos, fazem como Jesus denunciou: percorrem céus e terra para fazerem um prosélito e depois o transforma em duas vezes mais filho do inferno do que são.

São lobos com pele de ovelhas. Com seus discursos agradáveis e chamativos, negam a cruz de Cristo pela vida de facilidade que prometem, não suportam ouvir a verdade, detestam as pessoas que colocam em risco todo o império que querem construir, amam estabelecer uma relação de dependência (se utilizando da culpa, do medo, da imposição) para que os fiéis nunca se apartem de suas comunidades e alimentem assim esse ciclo sem fim de perversidades.

Ao olhar para essas comunidades, Jesus tem vontade de vomitar, é repugnante, lhe causa horror. (Veja Isaías 1, Apocalipse 3).

Esses dois tipos de comunidade: as sinceramente enganadas e as que já expulsaram Jesus do meio delas, se intercalam, se flertam, há uma linha muito tênue entre uma e outra, e para ambas o convite de Jesus é: arrependam-se!

Que realidades podem indicar que Jesus está começando a se distanciar de uma comunidade? Quais são os sintomas que mostram uma saúde comunitária debilitada e carente do remédio do arrependimento?

a) Idolatria. Quando um objeto (uma estátua, o púlpito, a rosa ungida, a Bíblia, um amuleto), um lugar (o templo ou determinado país), pessoa (pastor, mestre, cantor, intercessor, curandeiro, artista), dia especial (domingo, sábado, feriado), tradição, regras superficiais (não toques, não proves, usos e costumes), cargos eclesiásticos (ministério disso, ministério daquilo), doutrinas (discussões infindáveis, polêmicas, levamento de questões irrelevantes, defesa de seu ponto de vista pelo viés da maldade) ou o próprio dinheiro recebe a adoração que deveria ser dada a Deus.

b) Institucionalismo. Quando aquilo que era simples e essencial se transforma numa máquina que se torna um fim em si mesma. Denominacionalismo (o nome se torna o orgulho e sentimento de superioridade), empresarialismo (sustentar e suportar pessoas se torna o segundo plano, a prioridade é sustentar as engrenagens institucionais e gerar lucro), numerolatria (quando faz-se de tudo para aumentar o número de membros, na ideia de que quanto maior o número de pessoas mais há a sensação do sucesso comunitário), surto pelo controle (não há estímulo à espontaneidade, sempre há a tentativa de preencher os dias e horários vagos com eventos sagrados – quanto menos as pessoas respirarem melhor).

c) Estímulo ao Consumismo e à Barganha com Deus. Quando comprar, adquirir, reter se torna o estímulo dos líderes da comunidade. Chamam isso de bênção de Deus em resposta à fidelidade financeira dos fiéis (barganha). Dê isso para Deus e ele te devolverá aquilo!

d) Ênfase na sobrenaturalidade. Comunidades cuja temática sempre gira em torno de milagres e dons espirituais, superestimam o falar em língua (quando nas considerações de Paulo é um dos menores dons), acham que o que Deus quer fazer com a gente é resolver nossos problemas físicos e nos levar à sonhos e visões sobrenaturais, enquanto que a proposta de Jesus é tão mais simples, visceral e prático: frutificar, amar, consolar, pacificar, perdoar, anunciar, discipular, orar; e tudo o mais, é consequência natural de uma vida que obedece esse chamado!

e) Exclusivismo. Não há consciência de que a terra toda está cheia da glória de Deus e que portanto há gente de Deus por toda parte, tudo gira em torno daquela comunidade. Fazem separação entre coisas de Deus e coisas do mundo, chamando de coisas de Deus aquilo que é produzido dentro das igrejas e chamando coisas do mundo aquilo que é produzido fora dos ambientes eclesiásticos. Não lidam com os conceitos relacionados as seguintes realidades: Há ovelhas que não são desse aprisco… Eles que não andam conosco estão expulsando demônios… Os que não possuem as escrituras, porém vivem intuitivamente conforme a lei da vida… Os estrangeiros que tinham mais fé do que os assim chamados “filhos da fé”… os convidados indignos que dão seus lugares às prostitutas, cegos, coxos que sentam na mesa com o Rei.

f) Invenções que dissipam a simplicidade do olhar de Jesus. Há comunidades totalmente focadas em entreter o povo, emocionar os membros, propiciar momentos de arrepio, trazer pregadores e músicos de fora para se orgulharem por ser atrativa, atual, na moda, por ter métodos infalíveis de evangelismo, querendo sempre provocar orgulho nas pessoas por pertencerem a uma comunidade tão santa, e a consequência disso, é que se tornam comunidades ensimesmadas, preparadas para o show business, mas não preparadas para andar com Jesus até a morte e ressurreição.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz
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