Gosto da ideia de perder o medo da dúvida. Vivemos em uma cultura que não faz muitas perguntas, em que pensar incomoda. Se possível, a maioria se deixa levar por um fluxo de acomodações, conveniências, sem reflexão, seja sobre o que for. Não pensamos para que outros pensem por nós e, muitas vezes, não questionamos, com medo de desacreditar. Porque, em geral, as afirmações mais eloquentes tendem a mascarar incertezas arraigadas. Gritarias escondem fraquezas, imposições para não expor fragilidades.

Seja por reflexo da correria atual, ou como fruto de uma cultura religiosamente acéfala em que fé e ciência são antagônicas e conexões entre espiritualidade e controle de massas são aceitas com tanta facilidade, deixamos de fazer perguntas e, sobretudo, de expressar dúvidas. Quem olha para suas dúvidas com naturalidade, tem uma grande oportunidade para crescer. Elas abrem terreno frente a dogmas, desconstrói entulhos sedimentados por certezas impostas, abre caminho para o novo, o ainda desconhecido.

Questionar-se, querer explicações, dar um passo adiante é necessário para quem sabe onde está, olhou ao redor e percebeu que sempre dá para avançar mais um pouco. Quem encara suas inquietações sem medo, geralmente as sacia.

Aprender a lidar naturalmente com suas dúvidas é um importante passo para todo aquele que tem sede de conhecimento, que entende a necessidade de melhorar, evoluir, ir além. Se “idolatrar” a dúvida é exagero, enxergá-la como parte da própria humanidade é saudável, pertinente e necessário.

Quando duvidar não é um estado permanente de espírito – tornando o indivíduo um cético patológico -, mas uma abertura para o improvável, dilatamos nosso olhar, afinal, muitas vezes o sentido das coisas transcende racionalidades e viaja por inquietudes e porquês.

Duvidar pode fazer parte do crescimento, da experiência e do saber.

Alguém duvida?

Flávio Siqueira
www.flaviosiqueira.com
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