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Fora do Eixo

Eu não sei amar o que os meus olhos vem. O que meu corpo sente. É uma confusão, mas sei amar a ausência, a solidão, o que foi. É estranho este gostar de sofrer. De querer o que existiu, mas não enxergar o que tem quando se têm. É irracional querer e sonhar com amor quando na verdade tudo se tinha e não percebia. Como saber quando a vida acontece? Quando saber o que é Real? Como posso identificar? Quem é feliz é porque consegue viver cada momento. Sabe que cada momento é único. Que precisa amar. Que precisa sofrer. Que precisa esperar. Mas e aqueles desnorteados? Moradores do fora do eixo? Aqueles que sempre estão querendo o momento certo no tempo errado. Buscando a felicidade a todo custo sem se dar conta de que já é feliz. Aquele que não enxerga o amor que lhe é dado e depois sofre por não ter percebido o momento perdido. Privilegiados os doadores de sentimentos humanos. São bons administradores das emoções. Mas tenho pena dos marginalizados. Negadores do conhecimento. Da experiência. Da esperança. Buscadores platônicos da ignorância. Soberbos. Orgulhosos. Sem humildade para aprender a aprender. “Desculpa pai. Eles não sabem o que fazem”

Suley Mara
sereta@bol.com.br
suley

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