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A Morte

Surge, bela e pálida
Cuspida da noite eterna e profunda
Velha, bendita, imortal e reverente morte
Dos pobres seres à sorte,
Despe-lhes a essência
Desvencilhando-a da carne imunda
Onde o calvário outrora distante
E em profana demência, agora transparece
Lúcido, florido e aberto
Tão certa é, que nunca estivera tão longe
E agora tão perto,
Desfalece o impuro
No último suspiro e sussurro
Gemendo em desafeto
Varrendo da alma essa vida
E os sofridos arranhões
Vem só, sempre só
Ceifando os ébrios, os “puros” e os charlatães
Derrotando um, ou milhões
Sempre a mesma arma
E a mesma face
Singela, serena e medonha moldura
Acerto fatal em seu golpe final
Sobre o bem e o mal
Refazendo com tristeza, beleza e candura
O destino do pobre, do nobre
E do faminto errante
Do mendigo e do rico
Cessa-se tudo num único gesto
No derradeiro e funesto
Resfolegar farfalhante
Aqui, para sempre…

 Eudes Roberto
eudesparaty@hotmail.com
eudes-roberto

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