Foi consciente
Inventei outra eu
Pra suportar viver
Esperança de ocultar
A indiferença dolorida
A possibilidade de amar

Quanta surpresa
Nem eu mesma sabia
Que em minha alma escondida
Morava uma mulher que sorria

Outra eu? Que susto!
Outra eu sou eu mesma.
Com sede de vida, de idas e vindas
Ah! Porque fiz isto comigo?
Tempo, pessoas perdi e afastei
Como explicar? Ela sou eu.
Sou eu? Preciso acostumar.
Eu?
Não quero mais ser a máscara
que o medo me vestiu.

Edna de Souza

5 comentários

      1. “…Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
        Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
        E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!…
        …Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
        Quando quis tirar a máscara,
        Estava pegada à cara.
        Quando a tirei e me vi ao espelho,
        Já tinha envelhecido.”

        Tabacaria – Álvaro de Campos
(Heterónimo de Fernando Pessoa)

        recomendo a leitura completa desse poema incrível de Fernando Pessoa.

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