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Você se negaria?

Um ser formal, polido, sério, grosseiro, obsessivo quanto à inclinação de acabar com divertimentos, “pé no saco”, chato, bobo, um ser de propostas surreais e inconvenientes, defensor dos frustrados, cabeludo, gente fina, porém, ingênuo… 

Tais são algumas das afirmações que eu ouço, principalmente dos amigos queridos da minha geração, acerca de Jesus.

Com toda sinceridade, eu concordo. Concordo com a aversão a esse jesus proferido pela religião, que viralizou como um ser do “tá no inferno” ou “tá no céu”. Um ser de análises julgadoras e irritantes. Um ser que faz de seus ensinamentos, um caminho mais entediante e desgraçado do que o do próprio inferno. Sim! Seguir o jesus das “casas de lambada” religiosas é o mesmo que viver o inferno! Inferno para si e para todos os que o cercam. 

É por isso que eu sempre cri no Jesus dos Evangelhos e, por tal, entendi muito cedo o significado do “negue-se a si mesmo”.

Há uma tendência, à qual estamos todos sujeitos, de nos enquadrarmos à grupos sociais que defendam pulsões que nos garantam perante a sociedade. Em outras palavras, quando um indivíduo não se enxerga legitimado socialmente e, por tal, constrangido, busca coletividades que respondam e defendam os seus anseios de reconhecimento, os seus “si mesmos”. Atualmente, possuir um “si mesmo” é a primeira opção de fuga ao bullying! Não estar adestrado às normas do “si mesmo” é garantia de desaprovação. Vivemos em um mundo que oprime as peculiaridades do amor e que catapulta e idealiza o des-afeto. O desafeto é a iludida arma de ataque do “si mesmo”.  

Me parece que o não sentir se tornou algo admirável e atraente, estou errado?! 

Por tal, desde muito cedo, estamos sendo estimulados à alimentar um comportamento cafajeste. Portanto, além dos cafajestes já conhecidos, agora estamos tendo que assistir à degradação da personalidade feminina. Estão se tornando “matadoras”. O ” si mesmo” já é uma tendência inconsciente em nossa cultura de relacionamentos. 

O “si mesmo” é uma espécie de holografia do que, oprimidos, desejamos ser. O “si mesmo” é a personalidade aceita e adorada pela sociedade. O “si mesmo” nunca é individual, “si mesmo” é sempre coletivo. Coletivo, pois, sendo de muitos, não é de ninguém. Garantido por vários, ninguém se responsabiliza, afinal, “legião é o nosso nome”. O “si mesmo” autoriza uma atitude individual que individualmente não se concretizaria. O “si mesmo” gera valentia covarde. Ora, os vários me tornam legitimado e apto a realizar o que eu, solitariamente, não realizaria!

Agora, pense… 

Fomos feitos imagem e semelhança de Deus.  

Em nós, habita o espírito Daquele que faz desertos tremerem. 

Daquele que o não, significa não. E o sim, significa sim. Não há enganações! 

Daquele que acredita tanto em você, que se fez humilhado e massacrado.  

Daquele que por amor de você, antes de criar o mundo, já tinha decidido:  “São meus e eu sou deles”

Nós estamos sufocando o nosso Eu (que é Ele), em nome do “si mesmo”. 

O único Jesus que eu conheço, me ensina a construir meu Eu. Meu Eu só tem como referência, Ele. Meu Eu não é uma cópia das personalidades que o mundo aplaude. Meu Eu não decide e age embasado na coletividade do “si mesmo”. O meu Eu busca expressar Ele, a todo momento, logo, preciso atropelar meu “si mesmo” diariamente. O “si mesmo” é muito tentador…

Caminhando com Ele, não estou livre dos erros, das iras e dos pecados, porém, tal caminho vai me libertando de qualquer vergonha. O meu Eu vai ficando tão sustentado pela Rocha, que mesmo que a  solidão seja minha única companheira, ainda assim sou maioria. 

O meu Eu reflete minha genuína Alma, enquanto o “si mesmo ” expressa os caprichos louvados pelos muitos. 

Por tal, quando flagrado, meu Eu não ridiculariza-me, visto que é o reflexo do Amor Dele que emano. 

Ah, o “si mesmo” nunca teria essa coragem! Coragem de revelar a verdade individual do coração e suportar o encarar do mundo! Por isso o “si mesmo” é coletivamente minoria e envergonha-se quando dispersado

Negar o “si mesmo” é uma decisão livre e individual e não uma emoção coletiva. É um caminho para aprendizes…

Logo, quem nunca “si mesmo” que atire a primeira pedra!

Então, ouvi um chamado:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me…”

Se temos ouvidos para ouvir, ouçamos!

Marcelo Bark
marcelobark@yahoo.com.br
marcelo-bark

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