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Silencioso Desespero

Esse conceito de felicidade como contentamento, estar satisfeito e/ou adaptado em qualquer circunstância, além de ser coerente com a informação de que “as pessoas possuem um ponto de estabilização da felicidade, um nível de alegria ao qual se retorna, não importa se o indivíduo tenha ganhado na loteria ou perdido a capacidade de utilizar seus membros”, também nos ensina que o grande desafio que enfrentamos consiste em viver de modo consciente, atentos às potencialidades e ameaças de cada momento da vida, de modo a nos tornarmos senhores dos nossos estados de espírito.

Mas, infelizmente, devo concordar com Henry David Thoreau quando diz que “a grande maioria dos homens vive uma vida de silencioso desespero”. Por baixo do pano escuro da noite, quando as luzes se apagam e restam apenas os labirintos da mente como trilha para o encontro com o descanso, muita gente repousa infeliz. Sua sorte, ou infortúnio, é que durante o dia quase ninguém percebe; disfarçam bem ou convivem com gente igualmente ocupada em disfarçar, que não consegue perceber quão ruins os atores são no palco da vida.

Alguns pessoas retrucariam: – Eu não sou tão infeliz como você está sugerindo. Acredito. Na verdade, conheço muitas pessoas assim. Mas não invejo suas vidas. E desconfio de que nem mesmo elas se orgulham da vida que têm, pois se a infelicidade não as descreve, também não é tão fácil encontrar uma palavra que o faça. Têm vidas amorfas, vazias, e obedecem à mesmice da navegação de um marujo que não sabe para onde vai, que teme chegar a algum lugar indesejável e que cruza os dedos fazendo figa para que o acaso lhes reserve boa ventura.

Vidas sonolentas, que se arrastam em meio a rotinas enfadonhas. Gente que vive à espera da sexta-feira e que se arrepia quando a luz do quarto se apaga no domingo à noite, sem que nada interessante tenha acontecido no final de semana. Não têm uma cama onde repousar, deitam-se noite após noite numa cova de lençóis, sepultando um projeto de vida fracassado e, ainda que inconscientemente, rolam de um lado para o outro imaginando alguma novidade inesperada que, como num passe de mágica, derrame adrenalina no dia seguinte.

A infelicidade, para a maioria das pessoas, não é um sofrimento constante, com lágrimas derramadas de hora em hora, mas sim o seu oposto, justamente a ausência de lágrimas: não se emocionam, não se entristecem, não se desesperam, não se importam, não choram mais. E acham isso normal, sinal de maturidade, estabilidade emocional, de autocontrole. Eu chamo isso de apatia, dessensibilização, incapacidade de ser afetado pela vida.

Ed René Kivitz
Extraído do livro: Vivendo com Propósitos
http://www.edrenekivitz.com/
ed-rene-kivitz

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