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A foto, o vídeo, a web e a vida!

Bem sei o que é ser um homem conectado! Esse novo mundo digital pegou todo mundo de surpresa, ofereceu informação rápida e não só isso, disponibilizou trilhões de informações de todo tipo, em todas as categorias, em todas as ciências conhecidas. Não nos ensinaram a lidar com isso, tudo isso é relativamente novo, não faz nem 20 anos que nossa vida virou do avesso, estamos no processo, caindo e levantando até aprender a andar.

Trocamos o futebol na rua pela segurança do jogo de futebol virtual, substituímos o “cara-a-cara” pelo “cara-na-tela”, o toque físico (beijo, abraço, aperto de mão) pelo toque no smartphone, ao invés de conhecermos novas pessoas preferimos “adicionar aos amigos”, será que foi uma boa troca? Nunca estivemos tão ansiosos, depressivos e imaturos emocionalmente como nos dias atuais, pouco a pouco nossa vida vai se tornando virtualizada, artificializada, mecanizada, pouco a pouco vamos nos afogando no mar de informações de tal forma que as únicas informações que realmente são relevantes vão sendo esquecidas, reduzidas ao nada.

Que informações? Os conteúdos da alma, do coração, as memórias dos sentimentos, das impressões, das vibrações, do clima, do cheiro, da cor, do gosto, tudo passa a ser fotografado, filmado, solidificado, materializado, e uma vez tendo a imagem pronta a nossa disposição, vamos sem perceber perdendo a capacidade de imaginar, lembrar, rememorar, reelaborar situações realmente significativas. O cérebro está tão abarrotado de coisas prontas, influenciado pela quantidade brutal de acessos que inevitavelmente está clamando por quietude e descanso.

Seria essa uma avaliação pessimista da realidade? De forma alguma! Bem sei dos benefícios do acesso rápido a conteúdos quase que ilimitados. Foi assim que conheci minha esposa a 2500 km de distância de minha cidade, também foi por essa via que fiz amizades incríveis, foram informações promovidas na rede que mudaram o meu jeito de enxergar o mundo e tudo o que no mundo há, é justamente ensinando a usar a web que ganho o meu pão com suor. Mesmo assim, é preciso ir devagar, evitar o vício, a dependência total, a conexão ilimitada e irrestrita, pois há coisas que são particulares, há coisas “irregistráveis”, há realidades indecifráveis, que se desfiam e se desintegram no exato momento que tentamos reduzi-las a um post, uma foto ou a um vídeo.

A vida é mais do que compartilhamentos artificiais, é muito mais que curtidas em fotos de paisagens extraordinárias, a vida transcende a lógica do “se demonstro sucesso logo sou um sucesso de pessoa”; por isso a sabedoria está do lado de quem conhece a ferramenta, sabe de seus riscos, e se aventura a estar nela sem se deixar manipular por ela, lida com toda boa novidade sabendo que somos mestres em transformar coisas boas em armadilhas pra nossa própria alma.

Talvez devamos voltar um pouco, rever alguns pontos, sair de casa sem o celular, se desprender, se desapegar para elaborar melhor certa dependência. Desligar a TV e ir na praça, se descalçar, sentir a grama gelada nos pés, sentir a brisa no rosto, conversar com alguém olhando fixo nos olhos, e reaprender que a maior que conexão que existe é aquela que nos faz de fato unidos uns aos outros e unidos ao universo, à natureza, à criação, não artificialmente, mas essencialmente.

A melhor foto, o melhor vídeo, continua sendo aquele registrados pela nossa memória, pois através dela podemos imaginar, sentir, ouvir, ver, saborear e perceber realidades para além da obviedade e da crueza das imagens. Há realidades para além, essas precisam de percepção!

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz
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Avalie o seu nível de dependência da internet. Quão incapaz de viver sem as “conexões” você é? Qual é o seu nível de ansiedade? Quão preparado você está para situações que demandam inteligência emocional?

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2 comentários em “A foto, o vídeo, a web e a vida! Deixe um comentário

  1. Rodrigo, Gostei muito desse texto. Que atual! É uma percepção assim que temos que desenvolver para aprendermos conduzir nossas vidas corretamente; Realmente a virtualidade nos cativa, e se não nos policiarmos ela nos suga por inteiro. ( vivo isso o tempo todo com meus filhos, preciso monitora-los…); Eu tambem lembrei de uma música; A do Lenine: “Paciencia” ; Um dia ouvi vc cantar, e refletindo na letra, pensei que se ela se tornar pratica de vida, muita coisa em nós estaria resolvida.

    Curtido por 1 pessoa

    • Perfeita sua colocação Greice. A virtualidade nos propicia trocas importantes, aprendemos muito com a internet e muitas distâncias são encurtadas. Mas o que poucos têm percebido é que ela pode diminuir a conexão com a familia, com a gente mesmos, com a natureza, com aquilo que ecoa dentro de nós como busca e verdade! Sem dúvida a educação de filhos nessa era digital é um grande desafio.

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