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Afinal de contas, amigos existem?

Não sei você, mas a solidão é algo que de vez em quando me visita. É uma sensação de que não há muitos caminhantes companheiros de jornada, não há mutos que me entendam, não há muitos ombros onde possa me apoiar, não há muitos conselhos para me colocar nos trilhos, não há muitos ouvidos disponíveis para me escutar, não há muitos colos vagos para deitar a cabeça e receber carinho. Será que neste tempo de correrias existem pessoas as quais podemos chamar de amigos? São raros, mas existem sim! O que acontece é que as configurações de amizade estão mudando…

Parte dessa solidão não tem nada a ver com a postura dos outros, nem com maneira como a sociedade tem se desenvolvido, mas sim, com minha própria dificuldade de lidar comigo mesmo, ou seja, fala também daquela mania de transferir as responsabilidades, exigindo que os outros estejam sempre disponíveis para satisfazer a minha própria necessidade de falar. É um tanto egoísta! Ao mesmo tempo é inegável que os tempos mudaram, a forma de organização social tem sido alterada, o advento da internet tem reestruturado as formas dos encontros humanos, parece que acreditamos que ao clicar em “adicionar aos amigos” estamos de fato fazendo novas amizades, dificilmente vemos duas pessoas passando horas a fio sentadas em cadeiras de área, conversando sobre a vida sem se preocuparem com as notificações do celular, estando focadas umas nas outras.

O tempo está cada vez mais escasso. Aliás, há quem diga que o rico de hoje não é aquele que possui muito dinheiro, mas sim, aquele que tem muito tempo! Estamos cada vez mais ocupados, a verdade é que nós estamos cada vez mais mal ocupados!

Como as amizades sobrevivem a esse novo mundo? Uns preservam a alegria da presencialidade física, marcando constantes encontros, tomando iniciativas na direção de estar com os queridos, outros tentam se manter por perto interagindo na grande rede, curtindo, comentando, mandando “bom dia” ainda que por uma “lista de transmissão” onde a pessoalidade é um pouco prejudicada, mas ainda assim é uma sinalização da importância do outro; outros ainda se manifestam nas festas, feriados, comemorações, ou seja, se apegam à formalidade das datas para tentar se manter por perto de alguma forma.

Cada um ao seu modo, cada pessoa com seu jeito peculiar de demonstrar ou não que quer fazer manutenção da amizade, mas o fato é que a amizade demanda o mínimo de compartilhamento, conversa, interesse pelo outro, desejo de estar perto, não há amizade sem comunicação, sem contato, sem presença no presente; por isso há amigos que podem se tornar verdadeiros estranhos com o passar dos anos, viram peça de museu, apenas personagens de um passado distante e há estranhos que podem se tornar amigos verdadeiros! Há uma pesquisa que diz que uma das crises dos trinta anos de idade é perceber que embora estejamos cercados de pessoas de todos os tipos, constatamos que o número de amigos verdadeiros não ultrapassam o número de dedos de uma só mão.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz
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A pergunta a ser feita não é “quem são os seus amigos”, mas sim “você é amigo de quem”?

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